quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A sombra de Dionisio

Você não gosta muito de ler... Mas lá de vez em quando alguém te sugere um livro que, no momento, te dá na telha tentar a leitura...
Hoje ele talvez seja 50 tons de cinza, antes O Segredo ou Paulo Coelho...
Não li nenhum deles e é difícil criticar o que não se conhece a fundo. Isso beira o conceito real de preconceito. Não vou julgá-los... Nem vou lê-los...
Mas, pelo que ouvi - e é só o que se ouve - o que agora está em cartaz tem um grande "Q" de sedução.

 Julgar hoje é tão banal quanto inofensivo, dizem por aí até que a fofoca é muito natural. E explodem revistas e blogs do tipo Tititi, narrando vidas, atos, bocejos e cabelos de terceiros...
Julgamos a todos com um temeroso medo de ser julgado. Aquele pequeno comentário é um ofensivo julgamento. Aquece a orelha de outrem e alivia seu peito, daquele segredo que queria sair, daquela reflexão ácida que você cria, numa maldade que você jura não ter...

Todos temos inevitavelmente. Conclusões de terceiros a toda hora e o perigo mora em como expô-la, se é que deveria ser exposta antes de uma auto-crítica.
Mas não temos auto-crítica.
Me dê um pequeno papel e escrevo a resolução de seus problemas.
Me dê um caderno e não encontrarei a resolução dos meus.

Da pausa sobre julgamento volto ao "Q" de sedução para chegar onde queria..
Esses tons trazem vontades proibidas socialmente... Vontades que todos temos, mas não podem ser expostas, com o risco de julgamento.
Vontades profanas que inundam nossos instintos, e vivemos diariamente as coibindo, para num sonho luxurioso vivê-las numa entrega sublime... Vamos escondê-las, até que o sonho se realize.
E a leitura ouriça os pêlos, ativa hormônios...
É a sombra de Dionisio...

Vontades interrompidas! A castração da liberdade gera vários fenômenos:
Noivados e casamentos que não têm harmonia com a liberdade = traições...
Mães que privam seus filhos de tudo = adolescentes ou adultos libertários, ou noutro extremo, confundido liberdade com libertinagem e droguinagem...
A liberdade é tão necessária quanto perigosa.

E, no caso da vida social, nada mais livre que uma mente, com seus próprios pensamentos e segredos, de si pra si, sem brecha a julgamentos, como numa leitura calorosa, individual e silenciosa...


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