Notei praticamente uma conversa sobre o peso do passado. Na Letra a Vida é Desafio dos Racionais MC`s e no prefácio do livro As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, escrito por Isabel Allende.
Mano Brown entoa:
"Tem que acreditar.
Desde cedo a mãe da gente fala assim:
'filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor.'
Aí passado alguns anos eu pensei:
Como fazer duas vezes melhor, se você tá pelo menos cem vezes atrasado pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses... por tudo que aconteceu? duas vezes melhor como ?
Ou melhora ou ser o melhor ou o pior de uma vez.
E sempre foi assim.
Você vai escolher o que tiver mais perto de você,
O que tiver dentro da sua realidade.
Você vai ser duas vezes melhor como?
Quem inventou isso aí?
Quem foi o pilantra que inventou isso aí ?
Acorda pra vida rapaz"
Isabel Allende escreve:
"Estávamos em pleno governo socialista de Salvador Allende, o primeiro marxista a tornar-se presidente numa eleição democrática [Chile], homem que tinha o sonho da igualdade e da liberdade, além da paixão para concretizar esse sonho. Aquele livro de capa amarela [As Veias Abertas da América Latina - Eduardo Galeano], no entanto, mostrava que não havia nenhuma ilha segura em nossa região, pois todos partilhávamos cinco séculos de exploração e colonização, todos estávamos ligados por um destino comum, todos pertencíamos à mesma raça de oprimidos. Se eu pudesse ler nas entrelinhas, concluiria que o governo de Salvador Allende estava condenado desde o início."

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