Infelizmente no primeiro dia de 2013 tive o desprivilégio de atender ao primeiro crime de Florianópolis.
Partimos, obviamente, como se não fosse o primeiro crime... Quem sabe a décima tentativa ou o sexto salvamento... Manhã do dia primeiro!
Quantas desavenças teriam ocorrido madrugada afora por Floripa, nosso projeto frustrado de "Beverly Hills"!?
Ainda em Jurerê vi um com nariz quebrado e soube de dois caras que chegaram a ser espancados em conjunto, e amarrados um ao outro.
Breves notícias de 2013, mas agora eu protagonizava o fato.
Facadas profundas, tecido adiposo afora, campo, esparadrapo e ambulância.
Apoio do helicóptero, um cadeado estourado para o encontro de ASU e Águia.
A situação evoluiu, parada cardiorrespiratória, compressões torácicas num revezamento um tanto sanguíneo e cansativo.
Desfibrilador... e agora uma última tentativa:
Cortar o peito, espaçar as costelas, bombear manualmente o coração, que encontro...
Descoberta: Coração diretamente perfurado pela faca.. sutura direta no miocárdio, sem sucesso.
Sangue na farda, na ambulância, acima das luvas, em nosso corpo...
Sangue na rua e num pedaço de pano propositalmente embebido naquele líquido por uma parente que queria carregar o retalho vermelho como a alma de uma recordação dolorosa.
Nosso peito também abria um pouco, conforme a notícia era dada a cada um dos parentes, que visitavam o corpo gélido no interior da ambulância... Choro desavergonhado, sincero e demasiado cedo para 2013.
A imprensa chega na cena, os socorristas estão cansados e a comunicação não flui.
A cena toda está abatida. Na grade pessoas se aglomeram pra ver qualquer fresta que abra dentro da ambulância. O trágico é curioso...
Lemos no jornal, posteriormente que o motivo de tudo era a divisão de uma cerveja... Isso não nos interessou a nenhum momento naquela hora...
O trágico é curioso demais para nos revelar tudo de pronto, ainda que queiramos sabê-lo.
Deus é mais que nossa vontades.
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